Eu tenho artrite reumatóide desde 2003. Em 2002 fiz um tratamento para alergia que eu acredito que tenha desregulado meu sistema imunológico e desencadeado a moléstia. Pura especulação.
Com essa doença eu descobri prazer em algumas atividades que antes eram triviais. Por exemplo:
- o prazer de desenroscar a tampa de uma garrafa. É uma situação que eu vivencio raramente, conseguir abrir uma bebida sozinha, então quando consigo fico orgulhosa de mim mesma.
- o prazer de acordar sem dor. O prazer de acordar com pouca dor. O prazer de conseguir sair da cama, apesar da dor.
- o prazer de poder virar o pescoço na hora de dirigir.
- o prazer de conseguir usar um sapato social.
Também me fez descobrir novos temores: o temor de quebrar coisas na casa dos outros, de cumprimentar dando a mão e sentir como se os dedos estivessem sendo esmagados, de não poder mais fazer coisas que exigem precisão, como desenhar, o temor de não passar no exame da auto-escola, que agora inclui um teste de força das mãos, o temor de chegar a data de tomar o remédio e não ter disponível na farmácia de alto custo, ou do remédio parar de fazer efeito.
Mas, principalmente, a doença me deu a consciência de que existem diversos fatores limitantes que, na verdade, eu não tenho, e a sensação de poder fazer tantas coisas é prazerosa e libertadora.
Poder fazer o que deve ser feito, poder cuidar das pessoas que dependem de mim, poder vencer os desafios e administrar as limitações. De fato, acho que a vida tem sido generosa comigo, e espero sempre ter saúde para retribuir.
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