segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dezembro


O mês de dezembro é especial no calendário católico. É um mês de festas e alegria para alguns, e de depressão para outros. Não há meios-tons. E todos têm razão, se pensarmos. Por que:

- A comida é deliciosa. Mas comemos demais e acabamos engordando.

- A decoração é linda. Mas o trânsito que se forma para vê-la é insuportável.

- Encontramos pessoas que não vemos sempre. E lembramos das que não estão mais conosco.

- Ir ao Shopping é detestável, desde o estacionamento. Mas dar e ganhar presentes é ótimo.

- Temos feriados e dias de folga. Mas o ano só recomeça em março.

- Amigo secreto é um item à parte. Você já vai com poucas expectativas, mas tem gente que consegue dar menos que isso. Uma vez, eu tirei a mesma pessoa que me tirou. Eu dei um perfume francês. E ganhei uma caixa de baralho. Não duas, com as quais podemos variar os jogos. UMA.

Mas confesso que, apesar de tudo, sou do time que adora dezembro. Passo o Natal com gente que eu amo, procuro fazer minhas compras em novembro e ligo a música quando vejo que os carros desistiram de andar. E à meia-noite do dia 31 fecho os olhos e acredito realmente que começa um novo ano, uma nova etapa, que trará coisas boas para todos nós.

Boas festas!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Biscoito de nata

Fiquei de conseguir a receita do biscoito de nata da minha avó, e minha mãe tinha a receita em seu livro. Então segue:

3 xícaras de maizena
1xícara de farinha
1 xícara de nata
1 xícara de açúcar
1/2 xícara de manteiga
1 colher de chá de fermento em pó

Misturar tudo, fazer bolinhas e assar

Bem trivial, não é? O que será que tinha naqueles biscoitos que os tornava tão gostosos?
Comida de mãe é bom, mas não há nada que se compare a comida de avó!!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O fim de uma era

Meu filho caçula terminou o colégio. É o fim de uma era. Não vou mais ter que acordar às 6h, não vou precisar chamar oito vezes até levantar, não vou precisar fazer mágica para, saindo de casa às 6:56h, ter que chegar ao colégio até as 7h.
Na faculdade, a expectativa é que cada um se locomova por si, me desobrigando do papel de “mãetorista”.
Ao mesmo tempo em que me sinto aliviada, percebo que isso significa que meus pequenos estão crescendo, ficando cada vez mais soltos, mais independentes de mim. Seus caminhos tendem a se separar cada vez mais dos meus, e só quem é mãe entende a nostalgia que esse momento traz.
Sempre soube que eles não eram meus, que cada um segue seu próprio caminho, que os filhos crescem e se afastam, e acho isso saudável e necessário. Mas não consigo evitar uma sensação de perda e de solidão.
Hoje eles reclamam muito do colégio e manifestam grande alívio por se livrarem dessa carga. Sei que daqui a algum tempo vão ter muitas saudades dessa época, do descompromisso, da liberdade, da pouca responsabilidade. Todos passamos por isso, e faz parte da vida não perceber a riqueza dos momentos enquanto os estamos vivendo.
Mas que está passando rápido demais, está...

domingo, 27 de novembro de 2011

Pra quem gosta da cozinha

Na busca por receitas e imagens para colocar nos posts, encontrei uma enormidade de sites interessantes e apetitosos.
Quero compartilhar alguns links, especialmente os que testei.
- Cozinhando com Humor – são apenas 64 receitas, mas testadas e aprovadas, e o site é bonito e saboroso.
- Receitas na rede – esse site é uma compilação de receitas tiradas de blogs. Até o momento tem 18.541 receitas cadastradas. Claro que muitas não são testadas, então fica por conta e risco do mestre-cuca, mas o site é bem organizado e tem busca por tema e por ingrediente.
- Panelinha – um dos mais famosos, talvez inclusive pela simpatia da Rita Lobo. Tem busca por ingrediente ou por categoria e links das mais acessadas. Atualmente conta com 577 receitas, mas essas são testadas, algumas inclusive por mim, e aprovadas.
- Cybercook – dizem que tem mais de 100.000 receitas. É cheio de anúncios e pop-ups, o que dificulta um pouco a navegação, mas tem diversos critérios de busca, fotos e inclusive vídeos de algumas preparações.
- Receitas grátis – tem separação por tipos e categorias e um glossário que explica todos os termos e ingredientes. Conta com 1.431 receitas cadastradas.
- Cozinha fácil – é um blog que não tem mecanismos de busca de receitas, mas é o mais bonito desse grupo. Tem fotos apetitosas, letra caprichada e diversas citações, que nada têm a ver com comida mas são interessantes.
E um blog que não é de receitas, mas comenta sobre restaurantes, como o meu:
- Marcelo Katsuki – blog de um editor da Folha de S.Paulo, traz fotos do local visitado, de cada um dos pratos degustados, da equipe da cozinha e textos bem escritos e cheios de informações pertinentes. Muito interessante.
Dá pra passar o dia viajando pelas opções da rede, mas ai não sobra tempo pra cozinhar...

sábado, 26 de novembro de 2011

A idade da loba

Não sei bem o que quer dizer essa expressão. O que será que a loba faz de especial para ser comparada à mulher madura?
Sei que fazer 50 anos foi altamente libertador para mim.
Não me sinto obrigada a dar satisfações a ninguém. Não preciso de desculpas para fazer o que quero. Não ligo para o que os outros possam pensar.
Não tenho saudades dos 20 anos, acho uma idade complicada. O corpo está no auge, mas quanto sofrimento! Se você não é linda, se você não se encaixa, se você não tem os amigos certos ou se não é popular... E tudo é motivo para brigas em casa, e parece que o mundo conspira contra você.
Os 30 anos chegaram para mim discretamente, foram ofuscados pelo bebê que entrou em minha vida dois dias antes. Não consegui nem perceber a diferença entre ser adolescente e ser balzaquiana... Apenas fui mãe.
Os 40 trazem a certeza de que nada melhora com o passar do tempo. Entram o óculos, os cremes, os dentes escurecidos e a flacidez. Ácido? Cruel? Mas verdadeiro... Não que seja uma fase ruim, mas fica evidente o desgaste do corpo, enquanto a cabeça permanece jovem e ativa.
Já os 50 não trazem grandes mudanças ao corpo, a revolução se passa mesmo é do lado de dentro. Já se sabe o que foi feito de bom ou ruim no casamento, na criação dos filhos, no seguimento da carreira. A opinião dos outros importa cada vez menos. Já sabemos o que nos deixa felizes, e é isso que fazemos, cuidamos de nós mesmos.
Os homens que buscam mulheres bem jovens não sabem o que estão perdendo. Até a vitalidade e o apetite da mulher de 50 superam os das meninas.
Acabo de descobrir aonde a loba entra nessa história!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tzatziki

Seria muito bairrismo só falar de comida árabe, então vou dar uma chance para a comida grega, que aliás tem alguns pratos bem parecidos.
O tzatziki é um prato à base de coalhada seca, usado como pasta ou molho. Como tudo que leva coalhada, é saboroso e nutritivo.
Existe muita controvérsia quanto à receita VERDADEIRA, assim em destaque. Já encontrei com coalhada seca ou fresca, com iogurte, com endro, o pepino tem que ser ralado ou cortado em cubinhos bem pequenos, o alho tem que ser espremido ou amassado com a lateral da faca... Cada um acaba fazendo do seu jeito.
O que eu acho básico: tem que tirar bem a água do pepino, senão vira uma sopa.
Prefiro com coalhada seca, para passar no pão, mas se for feito com coalhada fresca, pode ser usado como molho de salada ou carnes.
Vou passar a receita que mais me agrada, mas fique à vontade para experimentar outras:

Ingredientes:
1 pote de coalhada seca (ou 500 ml de coalhada fresca, deixada num saco de pano ou coador de café por 8 horas para secar)
1 pepino japonês sem casca nem sementes, amassado e deixado num pano para perder água
1 dente de alho bem picado ou espremido
Sal e pimenta do reino (quer sofisticar? Use flor de sal...)
Hortelã picada
Dill ou endro fresco picado
Suco de meio limão
Azeite a gosto
Misture tudo e sirva com pão sírio ou como acompanhamento. Vai bem principalmente com carnes, pois corta a gordura. Se quiser, decore com azeitonas. Sirva gelado. E καλή σας όρεξη

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amizade

Fiquei pensando sobre a amizade, e sobre as pessoas que falam em “melhor amigo”. Não concordo com o conceito de melhor amigo, pois pressupõe uma pessoa mais próxima e mais completa que as outras.
Tenho várias amigas, e cada uma é melhor em algum aspecto. Tenho uma amiga que é boa para passear junta, para ir ao shopping, para fazer compras. Tenho uma amiga boa para ouvir desabafos e chorar juntas. Tenho várias amigas para dar risada, fazer fofoca, brincar.
E seria frustrante esperar de uma amiga um papel que não é seu. Não espero das amigas de brincar que me consolem nas horas duras, nem das amigas de compras que sejam boas companhias em viagens. Uma das tarefas mais difíceis é perceber o perfil de cada pessoa, para contar com ela nas horas em que ela é capaz de estar presente.
Quando perdi meu pai, fiquei muito frustrada por que um dos meus amigos mais próximos se afastou de mim. Eu era muito jovem para entender que ele saiu de cena por que aquele não era seu departamento, ele era um amigo de te dar emprego, de dar a senha do banco, mas não de dar consolo, ele não sabia fazer isso. E nem por isso deixou de ser um grande amigo, a quem sou muito grata por tudo que passamos juntos.
Claro que as relações também não são tão simples assim, e existem pessoas com quem você pode rir e chorar. Só acho que é necessário não esperar tudo de todas as pessoas, e que é importante reconhecer o que cada um pode proporcionar.
Agradeço a todos os meus amigos por cada momento compartilhado, pelas confidências, pelas lágrimas, pelos sorrisos, pelas viagens, pelas refeições, pelos jejuns, pelas palavras e pelos silêncios. Por enriquecerem minha vida e iluminarem meus dias. E por compartilharem guarda-chuvas nos dias sombrios.
Por fazerem valer a pena. Obrigada!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Taormina

Fui apenas uma vez, e gostei muito. É uma pequena cantina escondida, com serviço quase caseiro.
Oferece menus fixos, com entrada, opções de massa, fruta e café com cannoli, de uma cozinha elaborada e harmônica, oriunda da Sicília.
Se eu gostei, por que não voltei lá? É perto do trabalho do marido, ele almoça lá muitas vezes durante a semana, então não tem pique de me levar nos dias de lazer... Pena mesmo.
A caponata da entrada é o máximo. O molho de tomate é fantástico. E o cannoli é sensacional. No meio, as massas, deliciosas, no ponto certo.
Não pedi a massa com berinjela para variar da entrada. Mas dizem que é a massa mais famosa da casa.
São quatro ou cinco opções, e certamente alguma vai ser de seu agrado. Ou várias, como é mais provável. Com gorgonzola, com linguiça, ou apenas com o maravilhoso molho de tomate caseiro.
E o atendimento é totalmente familiar, a dona circula entre as mesas e acolhe os clientes como se estivéssemos em sua casa.
É um lugar para voltar várias vezes. Sorte do marido, que vai sempre. E na próxima vai ter que me levar!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dream

Ganhei uma vez um pôster com a seguinte frase:
- You see things as they are and ask WHY? But I dream things that never were and ask WHY NOT?
Penso muito no que esta frase significa. E penso que ela foi escrita baseada nos jovens. São eles que sonham mais, e que fazem os sonhos acontecer. Veja bem, não estou falando em jovens cronológicos, todo mundo sabe que juventude é um estado de espírito, e não depende da idade da pessoa.
Esse poder de acreditar num sonho, e de lutar para realizá-lo, é que diferencia os acomodados dos vencedores, das pessoas que fazem o mundo mudar. Cada passo dado em direção à realização dos sonhos leva a uma descoberta, a uma melhoria, a um novo horizonte.
Quero crer que ganhei esse pôster por ser assim naquela época, e gosto de acreditar que ainda sou assim. Espero nunca deixar de lutar por meus sonhos, e espero poder ajudar meus filhos a realizar os sonhos deles. Pelo menos, espero não os atrapalhar...
Sobre a autoria da frase, como existe muita inexatidão na Internet não vou jurar, mas parece que é de George Bernard Shaw, e que era usada por Robert Kennedy no final de seus discursos, o que gerou a falsa atribuição da frase a ele. De qualquer forma, depois deles vários a usaram, e gostei especialmente de duas versões:
“Some men see things as they are and ask why. Others see things that might be and ask: How much?” - Carl Hiaasen - Jornalista e novelista americano
“Some people see things that are and ask, Why? Some people dream of things that never were and ask, Why not? Some people have to go to work and don’t have time for all that shit.” - George Carlin – Comediante americano

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Per Paolo

O Per Paolo in Casa é um local para você comprar as massas e degustar em casa. Mas na unidade de Perdizes, que é a única que conheço, há um pequeno salão, caso você queira comer lá mesmo. Não espere um serviço caprichado, são apenas 2 garçons. E eles sempre fazem promoções nos sites de desconto, assim recebem muito mais clientes do que têm condições de atender com qualidade.
Mesmo assim vale a pena. Vale por causa das massas, que são fantásticas.
Comi um spaghetti com pesto de manjericão e camarões salteados que estava o máximo. Realmente delicioso.
Também fomos de penne primavera e agnelotti de funghi com molho de queijo emental, totalmente criativo. Todos amaram os pratos que pediram, que além de maravilhosos são bem servidos.
As sobremesas também valem a visita, o creme brulè estava um deleite, o fondant de chocolate com sorvete e frutas vermelhas era excelente.
Já fui várias vezes, e o que a gente faz é abstrair o serviço. A gente faz reserva, para não ficar esperando, e se arma de paciência, pois sabe que no final vai valer a pena. E sempre vale.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sanduíche

Encontro mensalmente minhas colegas de ginásio, e ontem almoçamos juntas. São almoços cheios de carinho e de alegria, onde todas falam alto e ao mesmo tempo.
Levei um sanduíche, e me pediram para publicar a receita hoje no blog. Como sou obediente, segue:

Ingredientes:
Pão de forma sem casca
Manteiga
200 g de presunto magro
250 g de queijo mussarela
4 ovos inteiros
½ litro de leite
4 colheres de sopa de queijo ralado
Sal
Pimenta do reino.

Preparo:
Unte um pirex ou assadeira grande. Passe manteiga nas fatias de pão e forre com elas o fundo da assadeira. Espalhe o presunto picadinho sobre o pão, em seguida coloque as fatias de mussarela, e cubra com o resto do pão.
Em um recipiente fundo bata os ovos, misture com o leite, o queijo ralado, o sal e a pimenta.
Despeje sobre o sanduíche de forma que fique uniformemente molhado, e deixe descansar por 3 horas na geladeira.
Leve ao forno pré-aquecido por 30 minutos ou até ficar dourado.
Enjoy!  

sábado, 19 de novembro de 2011

Da horta – sálvia

Existem mais de 900 espécies de sálvia, ornamentais, medicinais, e a officinalis, usada na culinária. Esta é a que nos interessa no momento.
Originária da costa norte do Mediterrâneo, dizem que retarda o envelhecimento, e só por isso já merece um post. Também protege contra feitiços, por isso é usada para compor o vaso das sete ervas de proteção.
Vai bem com aves, carnes gordurosas, pães, peixes, molhos, e misturada com manteiga tempera bem assados. Mas não costuma funcionar bem em conjunto com outras ervas, o ideal é usá-la sozinha.
Pode ser usada em chás, que inclusive ajudam a desinflamar a gengiva, e para aromatizar vinagres, temperando criativamente saladas.
Também vai muito bem no Saltimbocca alla Romana do restaurante Matterello, cuja receita segue abaixo:

Ingredientes:
4 bifinhos, aproximadamente 125gr de contra-filé
4 folhas grandes de sálvia fresca
4 fatias bem finas de presunto cru
manteiga, sal e pimenta do reino, palitos de dente

Modo de fazer:
1- Cortar o contra-filé em fatias finas e bater com o martelo de carne até ficarem bem finas.
2- Fatiar o presunto cru o suficiente para cobrir metade de cada bifinho de contra-filé.
3- Colocar numa das metades dos bifinhos uma folha de sálvia e uma de presunto cru, dobrar o bifinho e prender as extremidades com um palito de dente.
4- Fritar na manteiga ou margarina primeiro de um lado, depois o outro, o suficiente para os bifinhos perderem o vermelho.
Servir com risotto de açafrão decorado com um ramo de salsinha ou então com batatas e brócolis na manteiga.

Eu recomendo!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dinho’s Place

O Dinho’s é, talvez, o restaurante que mais comemorou a vida conosco. Passamos muitos aniversários, aniversários de casamento e outros momentos felizes lá.
A comida é deliciosa. Acho a melhor carne de São Paulo. O couvert é o máximo, e o buffet é fantástico.
Na época em que trabalhávamos na Paulista, toda quarta um grupo de amigos se reunia no Dinho´s para o almoço. Feijoada! Só carnes nobres, self-service.
Chegávamos perto de 12:30h e ficávamos até 15h, parecia final de semana.
Era um momento de integração, de curtir a vida com os amigos, de descontração. Há muitos anos que perdemos isso, não sei o que mudou.
Uma vez fomos ao Dinho’s no sábado, junto com um amigo, levando nossa filha pequena no bebê-conforto. Passamos perto de quatro horas jogando conversa fora, e a Larissa quietinha, brincando, até esquecíamos que ela estava lá. Nosso amigo quis saber qual era o truque, na hora eu não sabia, mas hoje descobri: ela era tão calminha quando pequena para compensar o turbilhão em que se tornaria! Todas as noites que ela me deixou dormir quando bebê, ela me deixa acordada hoje em dia. Ainda bem que tenho o Dinho´s para descontrair!!!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As palavras e o papel

Ontem usei a palavra viçosa. E me lembrei de algumas crônicas do Luis Fernando Veríssimo, em que ele usa palavras com o significado que o som lhe sugere, e não com seu sentido real. Viçosa era uma vizinha que eu tinha, meio libertina, de bochechas rosadas. Recebia amigos em casa e eles saiam de lá também de bochechas rosadas...
Às vezes a gente usa palavras que vêm de alguma parte desconhecida de nossa memória. Meu marido costuma dizer que consulta seus alfarrábios... Só falta mandar um ósculo e um amplexo.
Meu vocabulário foi moldado por Machado de Assis e Monteiro Lobato, e o imaginário foi povoado por Julio Verne. E por Harry Potter! Não tenho preconceitos, leio Paulo Coelho e Memórias de Adriano na mesma noite, se der tempo. Aliás, tenho dúvidas se a maioria das pessoas que critica Paulo Coelho já leu alguma coisa dele. Adorei O Alquimista!
E me regozijo de ver meus filhos lendo, lendo muito. São ecléticos, como eu, e devoram tudo que lhes agrada. Com isso, além de aumentar o vocabulário e a cultura geral, eles podem viajar sem sair de casa, podem viver experiências novas, podem aprender novos conceitos.
Não acredito que a leitura em papel físico morra algum dia. Sempre haverá gente como eu, que sente prazer em segurar um livro nas mãos.
Sempre li muito em bibliotecas, por não poder manter em casa toda a literatura que me atrai. E muitas vezes acabo comprando os livros favoritos, mesmo já tendo sido lidos, pelo prazer de possuí-los, de manuseá-los, de relê-los.
Conheci o dono de um sebo que me disse que adora comprar livros, e quase chora quando vende algum. Fica com o livro mais um pouquinho nas mãos antes de entregar ao cliente, acariciando sua lombada discretamente...
Entendo perfeitamente!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Golden

Teoricamente, a Golden é uma pizzaria rodízio. Teoricamente por que tem buffet, de saladas e outros, e o rodízio vai muito além da pizza.
O palmito mais saboroso que já provei foi o do buffet. Macio e desmanchando. Aliás, eles têm muita experiência com buffets, pois são do mesmo grupo da churrascaria Bovino’s.
O sushi é muito fresco, de vários tipos, para todos os gostos. Então até quem não come massa fica bem servido.
As saladas são renovadas muitas vezes, estando sempre viçosas.
Passam massas, frangos, carnes e pizzas, todos os sabores possíveis de pizzas. A massa tem uma espessura adequada, e os recheios são generosos.
E as pizzas doces são maravilhosas. Elas não estão restritas a chocolate e morango, tem de napolitano, pizzas com sorvete, de banana e outros.
O lugar é muito bonito e o serviço é eficiente e gentil. É um lugar para voltar muitas vezes, pela criatividade e fartura das ofertas. Como eu não consigo comer muito, da próxima vez pensei em chegar às 15h e ficar disfarçando, assobiando, emendando o lanche no jantar... Será que eles vão perceber?

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tempo

Hoje é feriado, e estamos com um dia inteiro para preencher. Às vezes eu questiono por que temos que ter atividades todo o tempo.
O que nos faz ficar entediados quando temos um dia sem agenda?
Na verdade, é um dia de possibilidades, quando as surpresas podem acontecer. Em geral, nos dias programados, as surpresas são desagradáveis, pois nos atrapalham para cumprir a agenda. Mas um feriado é uma folha em branco, é uma janela aberta, é a chance de fazer as tolices que não temos tempo para fazer nos dias úteis. Úteis para quem?
Acho que vou montar a agenda para hoje:
- acordar na hora em que meu corpo pedir.
- espreguiçar durante 5 minutos, fazendo bastante barulho.
- levantar preguiçosamente. Ou não.
- me arrumar para sair e resolver ficar.
- ai resolver sair.
- tomar café na padaria. Pão na chapa bem passado e café médio.
- voltar para casa. Ficar em dúvida se deito no sofá ou na cama.
Já estou ficando cansada, são muitas atividades. Acho que vou tirar o resto do dia para descansar...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Salmão dos Deuses

Minha filha fez um salmão com crosta de ervas e coalhada seca, usando receita do Panelinha. Aliás, esse site traz receitas deliciosas, e tem a preocupação de ser didático e adequado ao nosso dia-a-dia atribulado. Nem adianta dar receitas que envolvam preparos complicados, quem tem tempo de fazer?
O salmão é envolvido em um mix de 6 ou 7 ervas, batidas no liquidificador, para ficar como pó, e frito 2 minutos de cada lado, o que deixa o interior rosado.
A coalhada seca é temperada com limão siciliano, entre outros, o que a deixa cítrica. Vai ao lado do salmão, para equilibrar o sabor.
Realmente ficou delicioso. Eu como pouco e devagar, assim fiquei me deliciando por mais de uma hora com a parte que me coube. Todos terminaram e ficaram me olhando com inveja, e eu fingindo que não estava percebendo...
Para acompanhar, vinho tinto, Carmenère, como eu prefiro. E nem era dia de festa...
Peguei também no Panelinha uma receita de pão de alecrim, que ainda não fiz.
Devo fazer neste final de semana, e ai conto como ficou. Me aguardem!

domingo, 13 de novembro de 2011

A volta dos que não foram

Postei que o Tele-Thai tinha fechado, e quero retificar esse erro. Ontem recebi um comentário do mesmo, informando que não fechou, mudou de nome e de endereço, para poder abrir o salão além do delivery.
Assim, fui obrigada a conferir, jantando no Namga.
A casa é pequena, 50 lugares, mas muito bem decorada. O atendimento foi atencioso e eficiente. E a comida continua a mesma, ou seja, ótima.
De entrada, pedimos Khanom Pang Na Kung, torradinhas de camarão fritas, cobertas com gergelim, Pópia Tót, rolinho primavera estilo tailandês, e Miang Kham, trouxinhas de espinafre japonês para rechear com cebolas, gengibre, amendoim, limão, pimenta, coco queimado e pasta de gengibre e açúcar de palmeira. Difícil dizer o que estava melhor, só sei que as travessas ficaram vazias.
De jantar, Tom Yam Kung, sopa clara, com camarões e cogumelos, Pla Lad Prik, iscas de peixe branco frito com molho de ervas e tamarindo tailandês extra picante, Khao Pad de carne, arroz frito com molho de ostras e mix de alho e vegetais, Keng Panang de camarão, com curry extra picante, Pad Thai de camarão, talharim de arroz com vegetais e tofu e Phuket de camarão, brócolis, shitake e congumelos em um molho de gengibre e temperos thai. Provei de todos, e estavam sensacionais. O bom de ir em grupo é que dá para pedir vários pratos e provar um pouco de cada, pois é difícil escolher um só.
O delivery, Tele-Thai, também continua existindo, no mesmo endereço do salão.
Vale realmente a pena freqüentar o Namga. E acho que em pouco tempo eles vão precisar ir para um lugar maior, pois pela qualidade acredito que vão estar sempre lotados.
Só peço que, se mudarem de endereço, deixem uma placa avisando, para podermos sempre prestigiá-los!!!

sábado, 12 de novembro de 2011

Love Actually


Já assisti ao filme Simplesmente Amor umas vinte vezes. Tenho a fita, e mesmo assim assisto todas as vezes que passa na TV. Resolvi analisar por que eu gosto tanto deste filme.
Primeiro, por que fala de amor, e eu sou totalmente romântica. O filme conta cinco ou seis estórias simultâneas, de amores antigos e novos, correspondidos ou não, com desfechos os mais variados. E cada uma das estórias me emociona.
Uma das cenas que não me canso de assistir, e que me leva às lágrimas, é a da esposa que descobre que o marido comprou uma jóia, e não foi para ela. A frase é contundente:
“Would you wait around to find out if it's just a necklace, or if it's sex and a necklace, or if, worst of all, it's a necklace and love? Would you stay, knowing life would always be a little bit worse? Or would you cut and run?”
O homem que ama a esposa do melhor amigo em silêncio também é comovente. A cena dos cartazes é hit no youtube. E a maneira como ela descobre esse amor é engenhosa e sutil. A irmã que renuncia ao amor para estar perto do irmão doente chega a doer.
O casal que não fala a mesma língua é uma graça. Eles conseguem comunicar o mais importante, mesmo sem entender nada do que o outro diz.
O rapaz que vai aos Estados Unidos e consegue todas as garotas bonitas do pedaço traz humor ao filme, assim como o casal de tímidos que vive de filmes pornôs.
E as músicas são maravilhosas. Encaixam-se à perfeição no enredo, trazendo mais emoção. O viúvo que faz uma homenagem à esposa com os Beach Boys, e que consola o enteado com Titanic, além do recurso do menino para conquistar a amada. A dança do primeiro ministro. A música da cena em que Aurélia serve às mesas e se vira para ouvir a declaração de amor de Jamie.
Engraçado, cada vez que assisto a esse filme, penso que gostarei de assisti-lo novamente. Eu recomendo, mas só aos românticos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

La Marie

Ontem passei o dia com vontade de comer o suflê do La Marie, mas não queria deixar de jantar com a família. Acontece que cada um arrumou um programa para o jantar, mas mesmo assim estava com preguiça de sair de casa. Mas quando a vontade é muita, a natureza conspira, e tive que levar meu filho a uma reunião, e o melhor caminho para a volta passa na porta do La Marie... Era inevitável.
Comi um suflê de queijo brie. Estava indescritível. Assado no ponto certo, a parte superior bem firme e o interior absolutamente macio. Eram perceptíveis os pedaços de queijo, inclusive na cobertura.
Pedi um vinho em taça, me serviram um italiano saborosíssimo.
Como eles não trabalham com meia porção, o suflê era grande demais para o quanto consigo comer. Então estendi o tempo da minha estada, de forma a poder saborear pelo maior tempo possível. A vantagem é que não esfria, devido ao recipiente onde é assado.
Cada garfada é um prazer renovado, realmente é um prato divino.
Até pensei em pedir outro sabor, mas sou conservadora, e queijo é minha paixão. Acho até que eles poderia ter uma opção com queijo gruyere, que também combina demais com suflê. Mas não sei se abriria mão de continuar pedindo o de brie, que é fantástico.
E acabei tendo mais um prazer. Conheci a Marie, que dá nome à casa, e ela é uma graça, merece ter seu nome em um restaurante de primeira como esse.
Quem disse que é triste comer sozinha?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os melhores sabores de São Paulo 2

Prometi voltar ao tema, e aqui estou. Lembro que são preferências absolutamente pessoais, então discordar faz parte.
Alguns petiscos inigualáveis:

- Frango com farofa do Bologna (aliás as massas também, e o empanado de camarão... tudo é bom no Bologna).
- Sanduíche de carpaccio do PiraSanduba – o tempero vem no ponto, a carne vem gelada na medida, e eu sou suspeita por que eu amo carpaccio.
- Nido da Cristallo – é um doce maravilhoso. Dentro da forminha de massa podre, um creme de chocolate escuro, coberto por creme de ovos e contornado por massa de chocolate. Só provando!! Vem da minha infância, quando meu pai ia ao centro da cidade (só lá tinha Cristallo) e trazia para minha mãe, e a gente atacava sem ela ver. Até hoje como gemendo.
- Pão italiano da Delícia de Perdizes – muito fresco, muito crocante, na bruschetta ou no fondue é um toque a mais.
- Saltimboca alla Romana do Matterello – escalope recheado com presunto cru e temperado com sálvia, acompanhado por brócolis e batatinhas na manteiga. O Materello tem uma arquitetura muito interessante, meio Gaudi. E a comida é muito boa.
- Pizza Pizzalino da Margherita. Não tem pra ninguém! Já a de mussarela, também é ótima, mas para mim a mussarela número 1 é a da Speranza. De abobrinha, prefiro da Bendita Hora. É tão boa que leva o nome da casa.
Comer é muito bom, não é?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre a imortalidade dos médicos

Os médicos se acham imortais. Não deveriam, afinal eles conhecem de perto a enorme gama de possibilidades.
Meu pai era assim. Ele nunca ia a médicos, nunca fazia exames. Se cuidava, e muito, mas apenas no que ele enxergava. Sentia dores nas costas, e o ortopedista mandou que fizesse ginástica. Fazia diariamente, religiosamente. Controlava a alimentação, mantinha o peso, não abusava. Mas nunca soube se tinha pressão, colesterol ou glicose altos.
Cuidava de todos. Proporcionou-nos tratamentos para o corpo e a alma. Quando eu quis fazer terapia, indicou (e pagou) um ótimo colega por 4 anos. Na época em que não havia vacina de gripe no Brasil, importava e nos aplicava anualmente.
Não sei se teria sido possível evitar o enfarte fulminante que o levou aos 55 anos. Não sei que sinais poderia haver em seu corpo indicando o desfecho iminente. Mas gostaria que ele tivesse tentado, já que ele tinha tido alguns desmaios, e poderia desconfiar que algo estivesse correndo errado.
Mas ele achava que nada poderia acontecer, que o tempo é infinito e que tinha previsto todas as possibilidades.
Sinto falta dele todos os dias. Gostaria que ele tivesse me conduzido ao altar, que tivesse carregado meus filhos no colo, que almoçasse na minha casa aos domingos.
Ele entendia como o mundo funcionava, o que movia os relacionamentos, o que era importante para cada um de nós.
Hoje não trouxe ao post nem prazeres, nem afazeres. Trouxe um pedaço da saudade que sinto, e a gratidão por tê-lo tido em minha vida por 24 anos.
Pai, se você puder me ouvir, eu te amo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

La Pasta Gialla

Adoro boa comida. Frequento o Pasta Gialla do Itaim, e sempre saio satisfeita. Desta vez pedi um Paglia e Fieno com gorgonzola e nozes. Estava fantástico. A massa cozida corretamente, e o sabor do gorgonzola no ponto certo. Alguns restaurantes exageram na dose, e o sabor fica forte demais. Mas não aqui!
Provei o Nhoque com ragu de carneiro do marido – maravilhoso! O molho grosso e escuro, a massa macia. Vou ter que voltar lá para pedir um só para mim.
Eles realmente acertam a mão. As saladas e bruschetas são ótimas, mas é nas massas que eles se superam.
Os garçons são atenciosos, dão um dedinho de prosa em cada mesa.
Puseram o açúcar na mesa antes de trazer o café, como eu gosto. O café saboroso veio acompanhado de biscoitinhos. Um jantar maravilhoso, no qual só faltou um bom vinho. Mas era dia de semana, e quem ia dirigir na volta?  

domingo, 6 de novembro de 2011

Sobre os que se foram 4 – o delivery

Havia um delivery de comida tailandesa perto de casa, o Tele-Thai. A ideia é muito criativa, talvez criativa demais para a cidade. Durou perto de três anos.
O salão, bem pequeno, tinha duas, depois três, depois quatro mesas. A proposta era realmente o delivery.
A comida chegava quente e saborosa, bem acondicionada. Na sacola, um saquinho de pimentas para incrementar o pedido. O preço era muito acessível, ao contrário da maioria dos restaurantes tailandeses tradicionais.
Logo que fiz a cirurgia bariátrica, quando só podia tomar caldos, pedia a sopa de camarão com champignon, que coava e apreciava por memoráveis 2 horas (2 horas para 200 ml de caldo, um gole de cada vez). Afinal, até para emagrecer é necessários ter prazer.
Tanto o arroz quanto o macarrão eram ótimos. Os pratos com curry também. A torradinha de camarão era o máximo. Mesmo assim, a casa fechou.
É claro que ninguém vai pedir comida tailandesa todo domingo, apesar de eu preferi-la à pizza. Mas achei que haveria demanda para algo tão exclusivo e saboroso.
É uma pena. Hoje me deu uma vontade comer khao pad de camarão... Acho que vou ter que aprender a fazer.
Retificando, mudou de nome e de endereço, mas ainda existe, e postei uma nota sobre isso mais à frente.

sábado, 5 de novembro de 2011

Aos alunos, com carinho

Sempre quis ser professora. Quando era criança, lembro que alfabetizei todas as empregadas da minha mãe. Espontaneamente, pelo prazer de vê-las podendo ler, e para evitar a dor de imaginar que alguém não o pode.
Fui alfabetizada numa escola construtivista, e até hoje me lembro da sensação de passar o dedo sobre uma letra de lixa para aprender seu formato. Ler (e escrever) me trouxeram mais prazer que qualquer outro aprendizado que tive.
Quando decidi que seria professora, ainda não sabia de qual matéria. Naturalmente pensei em português, que me atraia profundamente.
Então comecei a ter aulas de matemática com o professor Oscar... Foi uma paixão arrebatadora, como só uma menina de 15 anos consegue ter. Era a pessoa mais inteligente que eu conhecia, e foi assim que escolhi a carreira a seguir. Um critério tão bom quanto o da maioria dos adolescentes, não é?
Como professora, nunca ganhei uma maçã, mas uma vez recebi um cartão que dizia: “Você trouxe sol, flores, encantos e sorrisos para minha vida”. Não dá para abandonar uma carreira que proporciona esse tipo de retorno.
Dei aulas de várias matérias, em colégios e particulares, e sempre amei a profissão, mas a desvalorização pessoal e financeira dos professores me incomodava profundamente.
Foi quando comecei a trabalhar com computação. E um novo horizonte se descortinou.
Havia uma matéria que eu podia lecionar sem me violentar!!
É uma sensação deliciosa, ganhar dinheiro com algo que se gosta. Claro que consultoria rende mais, e também é algo que adoro fazer. Mas quando começo a dar aulas para uma pessoa com pouquíssimo conhecimento de informática e logo a vejo se comunicando pelo Skype, respondendo emails e formatando textos, percebo que estou no caminho certo. É o que me faz estudar e aprender mais, para poder continuar ensinando.
Obrigada, meus alunos, pelo prazer que vocês me proporcionam. Valeu!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Buttina

Esta casa italiana é um achado: a comida é deliciosa e o lugar é bonito, com mesas num jardim maravilhoso, cercado de jabuticabeiras. Pra quem não gosta de tanto ar puro, há também o salão de entrada, fechado.
Outro dia, a surpresa agradável: liguei para fazer uma reserva, e fui informada que a casa estava lotada, só havia mesas na área do show. Que show? Toda terça, são convidados músicos que fazem um show de aproximadamente uma hora. O que a hostess apresentou como um problema, para mim foi um motivo a mais para fazer a reserva.
E não nos arrependemos. Os dois shows a que fui foram agradáveis, o primeiro, com vocal, até mais que o segundo, instrumental. O volume do som é perfeito, audível mas sem incomodar, e a área do show bonita, incluindo teto transparente. E a comida...
Pedi spaghetti ao pesto genovês, e veio um pesto verdadeiro, sem uma gota de óleo a mais, e a massa estava no ponto correto, o que não é toda cantina que sabe fazer.
O prato do marido era penne ao ragu, maravilhoso. O raviole de mussarela também é fantástico. A sobremesa foi uma crostata de castanha do Pará com sorvete de creme. Eu poderia repetir umas oito vezes, por baixo... O café vem na cafeteira italiana, muito saboroso e bem feito.
No final do show, é passada uma lista para o cliente ter a opção de fornecer o email, para ser informado dos eventos musicais e gastronômicos da casa.
É um lugar para voltar várias vezes, e é o que temos procurado fazer. E tem valido a pena...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Infância

Existe um doce que não consigo comer, que é biscoito de nata. Acho todos ruins.
Quando eu era criança, o ponto alto da semana era o dia de ir à casa da minha avó. Já na entrada, corríamos para um determinado armário, no qual ficava o pote de biscoitos de nata, sempre cheio. Tinha um sabor que não dá para descrever, derretia na boca, era o melhor doce do mundo. Assim, qualquer outro biscoito de nata perde na comparação antes mesmo de ser provado. É covardia...
Outra lembrança sensorial é o aroma do quibe michui, que minha avó assava na churrasqueira. Depois, cortávamos na dobra e tirávamos a gordura de dentro, para saborear um quibe indescritível, incomparável. O prédio inteiro babava com o cheiro, que impregnava todos os andares.
Aliás, o meu tio, quando era criança, descobriu um cachorro especial graças ao quibe. Ele pegava um quibe e sumia, depois voltava, pegava outro e sumia, e assim várias vezes, até que minha avó ficou preocupada e disse para ele parar de comer quibes. Ao que ele informou que não os estava comendo, ele os estava dando para um cachorro árabe que ele tinha conhecido... sim, por que só os cachorros árabes comem quibe, certo?
Eu tive a melhor avó do mundo. Como eu só tive uma, ela sabia que tinha que valer por duas, e cumpria seu papel. Era uma mulher quente, de colo largo, como só uma avó consegue ser. Ela era forte e poderosa, tanto que todas as sobrinhas a queriam a seu lado nos momentos difíceis ou felizes, e ela tocou e mudou a vida de todos nós.
Não dá pra comer qualquer biscoito de nata depois disso, não é?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Obá

A proposta do Obá é oferecer comida mexicana, quer dizer, tailandesa, ou melhor, nordestina... Ou todas essas!! Não é que eles inventem pratos misturados, são oferecidas opções das 3 cozinhas. Opções saborosíssimas!
O simpático chef aproveitou minha última visita para confirmar que existem mais de 1.000 tipos de pimenta no méxico, e eles sabem aproveitar o melhor de cada uma.
A decoração do local é colorida, com diversas peças artesanais, especialmente mexicanas. O atendimento é caloroso, e os garçons são “cools”. Têm a cara da casa...
De entrada, mini tortillas com cevice ou guacamole. Sensacionais. A moqueca de camarão com banana é fantástica, é um dos pratos memoráveis que já provei. De sobremesa, um bolo de mandioca “de comer ajoelhado”. Pena que não faz parte do cardápio regular, provei na 8ª Restaurant Week.
Não agradou? Ok, de entrada, rolinhos tailandeses com molho levemente picante. Curry de frango e batata doce com arroz jasmim. Para terminar, tapioca de banana com sorvete de creme e doce de leite.
Ainda não é esse? Podemos passar o dia na brincadeira, até o arroz com feijão deles é especial.
E adoro restaurantes que inovam na Restaurant Week, pois os pratos regulares do cardápio podemos provar a qualquer hora, mas as novidades do Obá sempre me pegam de surpresa. Ótimas surpresas, aliás...  

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Melhor é possível

Eu costumo ir bastante a restaurantes. É um imenso prazer, mas tem alguns detalhes que podem tornar o momento memorável ou infernal. Então vou dar algumas sugestões quanto ao que acho que todo restaurante deveria fazer.
- Colocar o açúcar na mesa antes de trazer o café. Não sei qual é a graça de colocar o café na frente do cliente e ai sair para procurar açúcar e adoçante para trazer. O café esfria, e a última impressão que fica não é agradável. Não existe nenhuma dificuldade em colocar o açúcar na mesa na hora em que o cliente pede o café. E dá pontos para o restaurante com pouco esforço.
- Deixar o cliente administrar sua bebida. Parece que o garçom tem pressa de tirar a lata da mesa, fica completando o copo, às vezes até a borda. Tenho uma amiga que cobre o copo com o celular para evitar que o garçom complete sua bebida. Aliás, ouvi da mãe dela uma excelente sugestão para evitar que o garçom fique mexendo no seu copo: basta dar um tapa na mão dele...
- Só tirar pratos da mesa quando todos tiverem acabado de comer. Acho constrangedor ficar sem o prato enquanto os outros comem, parece pressa em dispensar o cliente.
- Avisar quando houver troca de ingredientes no prato pedido. Acho irritante pedir uma salada apenas por que vem coberta de bacon moído, e na chegada do prato ouvir que o bacon foi tirado da receita por que a maioria dos clientes pedia para vir sem. Então por que não mudam o cardápio? Ou pelo menos avisem, porque oferecer para trocar o prato depois que você já esperou por ele e todos os outros estão servidos não resolve nem ameniza a insatisfação.
Treinamento é um investimento, dá trabalho e despesa mas o benefício para o restaurante é enorme, quando gera no cliente vontade de voltar... Bom serviço é um imenso diferencial, e se associado a boa comida, é sucesso na certa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Picchi

Fomos conhecer o Picchi na última Restaurant Week (tem que aproveitar, já que o preço não é acessível para mim nos dias normais). Achei excelente.

Como o cardápio inclui entrada, recusamos o couvert, mas acabamos pedindo apenas o biscoito que fazia parte do mesmo. Veio o biscoito, renovado várias vezes, e cobraram couvert de apenas uma pessoa, sendo que estávamos em 6.
Duas amigas não comem frutos do mar. Como a outra opção era massa, e todo mundo vive de dieta, elas optaram por comer do cardápio normal. Ai começou um festival de delicadezas.
O restaurante mandou entradas para ambas, como cortesia. A entrada era à base de peixe, elas devolveram, eles mandaram outra entrada. A minha era bruscetta de bacalhau, maravilhosa.
Vieram os pratos de todos. Agnolotti de carne ao burro e salvia, divino, absolutamente divino. Aliás, cada um adorou o prato escolhido.
Na hora da sobremesa, a opção do almoço parecia mais interessante. Perguntei se poderia trocar, trocaram. As que estavam no cardápio regular também pediram sobremesas, as mesmas não foram cobradas.
É um restaurante da moda, lotado de gente. Poderiam oferecer um serviço apenas honesto, e estariam cumprindo com seu papel. Mas fizeram com que a experiência de visitá-lo fosse altamente prazerosa, nós nos sentimos especiais e ficamos com vontade de repetir a experiência. Várias vezes, se possível...

domingo, 30 de outubro de 2011

Um dia de cada vez

Eu tenho artrite reumatóide desde 2003.  Em 2002 fiz um tratamento para alergia que eu acredito que tenha desregulado meu sistema imunológico e desencadeado a moléstia. Pura especulação.
Com essa doença eu descobri prazer em algumas atividades que antes eram triviais. Por exemplo:
- o prazer de desenroscar a tampa de uma garrafa.  É uma situação que eu vivencio raramente, conseguir abrir uma bebida sozinha, então quando consigo fico orgulhosa de mim mesma.
- o prazer de acordar sem dor. O prazer de acordar com pouca dor. O prazer de conseguir sair da cama, apesar da dor.
- o prazer de poder virar o pescoço na hora de dirigir.
- o prazer de conseguir usar um sapato social.
Também me fez descobrir novos temores: o temor de quebrar coisas na casa dos outros, de cumprimentar dando a mão e sentir como se os dedos estivessem sendo esmagados, de não poder mais fazer coisas que exigem precisão, como desenhar, o temor de não passar no exame da auto-escola, que agora inclui um teste de força das mãos, o temor de chegar a data de tomar o remédio e não ter disponível na farmácia de alto custo, ou do remédio parar de fazer efeito.
Mas, principalmente, a doença me deu a consciência de que existem diversos fatores limitantes que, na verdade, eu não tenho, e a sensação de poder fazer tantas coisas é prazerosa e libertadora.
Poder fazer o que deve ser feito, poder cuidar das pessoas que dependem de mim, poder vencer os desafios e administrar as limitações. De fato, acho que a vida tem sido generosa comigo, e espero sempre ter saúde para retribuir.

sábado, 29 de outubro de 2011

Da horta - manjericão

Já que estamos nos temperos perfumados, tenho que falar do manjericão. Originário da Índia, ainda é até hoje considerado sagrado por alguns povos. Existem mais de 60 variedades, dependendo da cor, tamanho e até concentração de aroma.
Medicinalmente, age sobre  infecções da pele e vias respiratórias, bronquite, cólicas, febres, insônia, problemas digestivos e reumatismo. Também são dele extraídos óleos essenciais, usados em perfumaria e como repelente de insetos.
Mas sua presença é realmente percebida na culinária. Combina perfeitamente com tomate e seus molhos, azeite, limão, carnes vermelhas, massas, pizzas e queijos, sendo o principal ingrediente do pesto italiano.
Deve ser acrescentado ao prato quase pronto, pois suas folhas logo murcham no cozimento.
E para quem quiser testar de perto o sabor, segue um link com várias receitas: http://www.hortaemcasa.com.br/mostraproduto.asp?prod=2EAD5E.
E pode me convidar para provar o resultado, ok?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre os que se foram 3 – o retorno

Ainda sobre bons restaurantes que fecharam, o Pasquale vai fazer muita falta.
A comida era boa, mas o inesquecível mesmo era o bufê de antepastos. Não eram quaisquer antepastos, não. Queijos apetitosos, várias preparações de berinjela e abobrinha, aliche em suas mais criativas formas, um bufê realmente caprichado.
Na verdade, até a fila de espera (realmente grande) era boa, já que você podia esperar degustando as entradas. Para mim, que não consigo comer grandes quantidades, já ficava por ai mesmo, apesar de não abrir mão de provar o prato do marido.
Além disso, sempre achei que uma decoração agradável faz parte do prazer do programa, e o Pasquale era numa casa graciosa na rua Amália de Noronha.
Sei que o lugar fechou por que o espaço foi vendido, acho que para construir um prédio. Ao pesquisar na Internet para não escrever bobagem no blog, vi que existe um restaurante chamado Pasquale na Rua Girassol. Espero que seja uma nova unidade da velha casa.
Claro que vou ter que ir para confirmar, e aviso se a visita valer a pena...