sábado, 1 de setembro de 2012

Prático

Meu marido sempre foi um homem prático. Alguns podem pensar que isso ajuda, mas garanto que não é sempre. Na sexta tive que ouvir esta:

- Amor, a empregada não tem dinheiro para vir na segunda...

- Fala pra ela vir na terça!!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ninguém merece

Tirei carta!!! Toda empolgada, chamo a prima e vamos ao litoral de carro. Na volta, na entrada da cidade, dois rapazes começam a nos seguir, e a paquera rola solta entre as janelas dos carros.
Vejo a minha saída. Saio para a direita. Eles atrás. No final, uma bifurcação. Entro para a esquerda, no primeiro dos constantes erros de caminho de minha rotina. Eles não conseguem nos seguir, pois já estavam na direita. Quando percebo, estou de volta na estrada. Ou seja, sem querer, despistei os paqueras!!!!
Além de ter ficado chateada, ainda tive que ouvir as reclamações da prima até em casa!!!!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Melão com açúcar

Fomos comemorar o aniversário da minha mãe na Trattoria Mello Mellão. A casa tem decoração exótica, inspirada em Fellini, com estampas de onça e espaços reservados.
A comida estava ótima, e olhe que passamos pela carta toda. Foram pedidos risotos, massas, carnes e saladas, todos bem preparados e saborosos. O couvert incluía pães frescos, especialmente a deliciosa foccacia, patês e queijos caseiros, verduras, cebola glaceada e manteiga temperada. Imperdível! Comi salada de salmão marinado com ovas, muito boa, o nhoque com gorgonzola estava divino, e o brownie do parabéns estava leve e delicioso. E o preço é justo, pois ser esfolado no final estraga meu apetite.
O chef Hamilton Mellão é um capítulo à parte. Foi de uma simpatia contagiante, nos deu muita atenção, veio várias vezes à mesa e nos fez sentir especiais. E não é isso que queremos quando compartilhamos nossos bons momentos em um restaurante?
A aniversariante foi elogiada e paparicada, e ficou feliz com a comemoração.
Vale a visita, recomendo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Aproveita enquanto eles são bebês...

23 horas - a filha sai para a balada. No meu carro.
Aproveita para deixar o irmão numa festa no caminho.
Deito e começo a dormitar.
3:30 horas - a filha chega e avisa à porta do meu quarto que chegou.


5 horas - o filho chega e avisa à porta do meu quarto que chegou.

Adormeço.

7 horas - toca o despertador....

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Fazendo sucesso

Chego à padaria com minha filha adolescente. Na entrada, o manobrista vem correndo, ajuda na manobra, abre a porta, me acompanha com o guarda-chuva, deseja boa estada. Penso:
- Puxa, estou abafando.
Na saída, me leva de guarda-chuva, abre a porta, coloca minhas compra no banco de trás e me traz de volta à realidade:
- Tchau, sogrona!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Saudades do escritório

Já que estamos nas brigas, um dia cheguei em casa para o almoço e fiquei paralisada à porta:
- o filho, chorando, com as mãos cheias de cabelos da irmã
- a filha, chorando, com as mãos cheias de folhas rasgadas da lição do irmão
- o gato, chorando, com as garras presas na cortina
- a empregada, quase chorando, avaliando quem deveria socorrer em seguida
Fechei a porta quietamente: - será que estão servindo almoço na padaria?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Que cabeça!!

Acontece que meus filhos, como bons irmãos, vivem brigando. Pois uma vez minha filha alugou um vídeo, e quando chegou em casa o irmão, de raiva, o escondeu. E esqueceu aonde tinha escondido.
Toda a família procurou muito, em todos os lugares, sem sucesso. Tive que pagar pelo vídeo que nunca tinha sido nem mesmo assistido.
Três anos depois nos mudamos. Caixas, caixas e mais caixas. Claro que quando desempacotei uma delas, lá estava o vídeo perdido.
Quantas vezes vocês acham que devo obrigar o filho a assistir?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Cena de viagem

Estamos em Londres, 7o. andar do hotel. Olho pela janela.

- Tem muita gente saindo do hotel...
- Tem mesmo muita gente saindo do hotel....
- Amor, tem MUITA gente saindo do hotel!!!

Ligamos para a portaria, não dava para entender o que o atendente dizia.
Ao abrir a porta do quarto, ouvimos o alarme de incêndio tocando loucamente!!!!
Pego a pochete com os passaportes e dinheiro, o marido pega a chave do quarto e descemos correndo pela escada.
No caminho, passamos por duas senhoras que descem com TODAS as malas!!!!
Reunidos na frente do hotel, metade das pessoas de pijamas, a explicação: exercício da brigada de incêndio!
Foi uma viagem cheia de emoções!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Nossas histórias


Depois que minha filha nasceu, nos quatro primeiros dias em casa eu precisava de ajuda para levantar da cama, e o marido levantava, buscava a nenê e colocava no meu colo. Ajudava a trocar fralda e colocava de volta no berço.
Na quinta noite eu consegui levantar sozinha. Pela manhã ele estava todo feliz:
- Esta noite o bebê não acordou!
O único bebê que não tinha acordado era ele...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Que figuras!

Em São Paulo temos alguns personagens muito pitorescos. Talvez seja um fenômeno das grandes cidades...
Na esquina da Rua Sergipe com a Consolação temos um vendedor de doces que fala inglês! Aproxima-se com um sorriso rasgado, dizendo “I love your smile”! Todo o diálogo se passa em inglês, que pode não incluir um grande vocabulário, mas é suficiente para transmitir a mensagem e vender o produto!

Nos Jardins ficava a Maria. Maria vendia maçã do amor na porta do colégio quando eu era criança. Para minha surpresa, quando meus filhos começaram a freqüentar o colégio, lá estava a Maria. Com a mesma aparência, os anos não passaram para ela, e as mesmas deliciosas maçãs e uvas carameladas. Será que meus netos vão comprar doces da Maria?
Já que estamos no bairro, não posso deixar de citar o homem que para com seu carro amarelo e fica à disposição para ser apreciado por quem passa. Já foi entrevistado, já saiu em revistas, e seu grande barato é ser olhado. Acho que toda a cidade já o viu alguma vez, é uma celebridade!!

Meu favorito é o Hare Krishna da esquina da Henrique Schaumann com a Teodoro Sampaio. Usa boné, que ninguém merece sol na cabeça. Aperta minha mão, conta trechos de sua vida no Ashram de Itu e se despede com Namastê. Presenteia-me com variados incensos e traz um sopro de paz e desprendimento para minha vida.
E os passeadores de cachorros? Já vi um com 12, de tamanhos e raças variadas. Quem leva quem?
Pena que estou sempre correndo, nunca dá para parar e conversar um pouco com essas pessoas, saber de suas vidas, se estão felizes como são ou se deixaram seus sonhos para trás. Coisas de cidade grande...

sábado, 28 de abril de 2012

Uma escola melhor

Dou aula de matemática para filha de amigos. Ela está no nono ano (último do ginásio, para os leigos...).
Na última aula, estudando senos e cossenos, ela me perguntou para quê usaria isso na vida. Enquanto eu pensava em uma boa resposta, ela me perguntou para quê EU usava isso. Essa é fácil, uso para dar aulas para ela...
Então ela comentou que achava que na escola devia ser ensinado a se comportar em grupo, como se faz a declaração de imposto de renda e o que faz e como se escolhe um bom governador.
Fazia tempo que eu não ouvia um comentário tão inteligente e tão pertinente, e isso me fez pensar sobre a escola e a educação. Ainda se ensinam as mesmas coisas que eram ensinadas quando eu estudei, apesar do mundo ter sofrido mudanças radicais nesse período. A informática é usada de forma precária, os conteúdos não acompanharam a evolução das pessoas e as técnicas de ensino e de avaliação são ultrapassadas.
A escola não acompanhou as mudanças na estrutura familiar e nem a velocidade e a acessibilidade da informação.
As crianças continuam não gostando do local no qual passam metade de seu dia, e têm que chegar em casa e fazer tarefas que não lhes trazem prazer, e nas quais nunca mais pensarão na vida adulta. Deve haver alguma coisa muito errada...
E pensei também que é verdade que quem dá aulas sempre aprende enquanto ensina.
Minha aluna, que já me encantava pela enorme doçura, pela educação esmerada, pela delicadeza e pela perspicácia, me mostrou seu bom-senso e praticidade, com a inteligência e a originalidade da ideia.
Valeu, Lulu, mandou bem!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bolo de Chocolate

Minha amiga Célia pediu no Facebook uma receita de bolo de chocolate. Não posso deixar de compartilhar essa maravilhosa receita da minha avó Leila (a avó do biscoito de nata era a Leonor, ambas exímias cozinheiras).
O truque desse bolo é a cobertura. Na verdade, eu não faço recheado, só coberto. Como a mistura ferve por 10 minutos, a cobertura endurece em cima do bolo. Às vezes, é preciso volta-la ao fogo para terminar de cobrir o bolo, pois ela endurece muito rápido, desde que se bata até o ponto certo. Se usar sem bater o suficiente fica uma cobertura normal de chocolate, o que também não é nada mal...
A graça fica por conta da medida do chocolate em pó, 56 gramas! Eu uso aquele do Frade, mas meio no chute. Não sei bem qual tipo de medidor minha avó usava, pois não cheguei a conhece-la. Mas devia ser bem preciso!
Quem se arriscar a fazer me conte depois o que achou.

BOLO


1 xícara de manteiga
2 xícaras de açucar
3 gemas
½ xícara de leite
2 xícaras de farinha de trigo
2 ½ colheres de chá de fermento Royal
3 claras
56 g. de chocolate amargo
½ colher de chá de baunilha

Bater a manteiga, juntar o açucar aos poucos e as gemas batidas. Junte a farinha e o fermento alternadamente com o leite. Depois as claras em neve e o chocolate derretido em ½ xícara de água fervida com a baunilha. Untar a bandeja com manteiga e polvilhar com farinha. Assar em forno brando.

RECHEIO E COBERTURA

2 colheres de chá de manteiga
1 xícara de açucar
1 xícara de leite
1 tablete de chocolate amargo
½ colher de chá de baunilha

Coloque a manteiga numa panela e quando derreter juntar o açucar e o leite. Deixe ferver por 10 minutos, junte o chocolate e deixe mais 5 minutos mexendo sempre. Tire da panela, junte a baunilha e bata até ficar quase fria e quase endurecendo.

ENJOY! 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Por que Curto João Pessoa


Nunca tinha ouvido muita coisa sobre João Pessoa. Injustamente, pois é uma cidade tão linda quanto suas companheiras nordestinas famosas.
Claro que chegamos loucos para comer frutos do mar. Não é tão barato quanto gostaríamos, mas também não é proibitivo como em São Paulo.
No primeiro dia fomos ao Canoa dos Camarões, aonde se come em rodízio. É uma orgia, são aproximadamente 20 tipos diferentes de preparações. Maionese, na moranga, frito, alho e óleo, pode imaginar uma variação, que lá tem, alguns mais saborosos que outros.
Difícil falar em ponto alto gastronômico da viagem, mas se for obrigada a escolher, fico com o Restaurante Canyon. A localização é maravilhosa, em praia exclusiva, com espreguiçadeiras e sofás à beira-mar. Vista divina e água tépida. Quanto à comida... Pedimos lagosta grelhada. Vieram 6 caudas (SEIS!!) grandes, com batatas, acompanhadas de arroz de brocolis e purê de jerimum. Estou salivando só de lembrar!!! Quem comeu a moqueca de lá diz que é a melhor do Brasil, e eu não duvido.
Fomos também a um italiano, Mediterrâneo, que fez bonito. Comemos salmão defumado em dois molhos e linguini com camarões no limão. Estavam maravilhosos, dignos do vinho que acompanhou. De sobremesa, torta de massa podre de biscoito, recheio de ganache de chocolate meio amargo e cobertura de geléia de damasco. Difícil descrever, adoro a combinação do chocolate com frutas ácidas. Ao final, café italiano bem tirado e saboroso.
Quanto aos outros atrativos, recomendo a Praia Bela, que o nome já descreve, com mar bravo e piscinas naturais, o Bolero de Ravel tocado em Sax na beira do rio ao por do sol, o centro histórico, com linda arquitetura, a Casa do Artista Popular e a Galeria de Arte Gamela, visitadas por acaso e que mostraram um pouco da riqueza artística da terra, e o show Parahyba Sim Sinhô, às quintas no Camarão Grill. O show mistura música, dança, teatro e humor, contando a história da cidade de forma lúdica e animada. Imperdível!

Também dançamos forró no Fellini, comemos ostras (divinas) na praia, tomamos sorvete de tapioca e compramos jóias maravilhosas feitas de folhas petrificadas e banhadas, uma exclusividade da empresa Folhas do Brasil que me encantou profundamente.
Viagem maravilhosa, para nos deixar prontos para mais um ano de labuta!! Valeu, JP!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Churrasco de Primeira

Fizemos ontem um churrasco pelo aniversário da minha filha, e quero compartilhar essa experiência.
Após procurar bastante, encontrei pela Internet a empresa Espeto Mania. Optei pela mesma por que o valor era justo e as referências eram boas, mas fiquei com medo por não ter provado o produto. Então o Fernando, que me atendeu, desafiou:
- Se a carne não for boa você não precisa pagar!
Ok, let’s try!
O churrasqueiro, Tom, chegou no horário marcado, protegeu a grama para montar a churrasqueira, conferiu o produto comigo e começou a trabalhar. Atendeu com eficiência e educação o tempo todo, atento ao jeito que cada um queria a carne, sem deixar sobrar e nem esvaziar os pratos, lavando tudo o que usava e deixando o local impecável. A carne estava saborosíssima, e ele assou no ponto que eu gosto. O tempero era uma delícia. No final, desmontou o local e deixou como se nunca tivesse passado por lá. Recomendo, com certeza!!
Quanto à festa, só tinha gente bonita e alegre, comeram e beberam sem dar vexame, foram na piscina, e o dia estava lindo. Brincaram com os cachorros e com as pessoas. São amigos queridos, que a gente conhece desde pequenos, e que já fazem parte da família.
No final, quando as meninas já estavam vestidas e maquiadas, jogaram todos na água.
Ou seja, foi uma FESTA!!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sobre rótulos


Fico pensando sobre os rótulos e os pré-conceitos. Por que uma pessoa tem que caber em alguma classificação?
Claro que compartimentar os assuntos nos ajuda a lidar com eles, mas ninguém se restringe a poucas características. Assim, quando rotulamos alguém, estamos fazendo uma simplificação que, em geral, ignora a maior parte da essência desse alguém.
Dizer que uma pessoa é negra nos traz quais informações sobre a mesma? Esse rótulo nos remete a uma imensidão de conceitos pejorativos, criados com o objetivo de justificar atrocidades cometidas no passado (no passado?) contra toda uma parcela da população. É uma maneira de ignorar a pessoa que habita o invólucro, comprar pela embalagem. Fui gorda toda a minha vida, e é como se minha vida se resumisse à gordura. E agora que emagreci? Virei outra pessoa? Isso me fez melhor? Quanta tolice...
Quando penso em meu filho, sinto uma imensa onda de ternura. É uma pessoa iluminada, um ser humano especial, doce, prestativo, inteligente, curioso, determinado, forte e frágil ao mesmo tempo. Entretanto, ele está passando por uma série de experiências, muitas das quais negativas, por ser gay.
Pensemos: no que a sexualidade dele deveria afetar o seu dia-a-dia?
Entendo que afeta o tipo de pessoa que ele busca para se relacionar. Assim como todas as pessoas, ele tem seus critérios na procura de companheiros. De resto, por que acontece de alguns amigos terem se afastado? Por que ele não pode expressar manifestações de afeto em público? Por que ele deveria falar sobre suas preferências em qualquer tipo de reunião ou entrevista, sendo que esse é um assunto muito íntimo das pessoas?
Não amo meu filho por ser gay. Nem por ser branco, nem alto. Nem por ser destro. Amo meu filho pela pessoa maravilhosa que ele é, e queria que as pessoas em torno conseguissem enxergá-lo de forma completa. Acho ridículo ter que pedir tolerância, como se dependesse da boa vontade dos outros conduzir sua própria vida como lhe apraz. Vamos gastar mais tempo realizando, e menos julgando? Acho uma boa resolução para 2012...