Ontem usei a palavra viçosa. E me lembrei de algumas crônicas do Luis Fernando Veríssimo, em que ele usa palavras com o significado que o som lhe sugere, e não com seu sentido real. Viçosa era uma vizinha que eu tinha, meio libertina, de bochechas rosadas. Recebia amigos em casa e eles saiam de lá também de bochechas rosadas...
Às vezes a gente usa palavras que vêm de alguma parte desconhecida de nossa memória. Meu marido costuma dizer que consulta seus alfarrábios... Só falta mandar um ósculo e um amplexo.
Meu vocabulário foi moldado por Machado de Assis e Monteiro Lobato, e o imaginário foi povoado por Julio Verne. E por Harry Potter! Não tenho preconceitos, leio Paulo Coelho e Memórias de Adriano na mesma noite, se der tempo. Aliás, tenho dúvidas se a maioria das pessoas que critica Paulo Coelho já leu alguma coisa dele. Adorei O Alquimista!
E me regozijo de ver meus filhos lendo, lendo muito. São ecléticos, como eu, e devoram tudo que lhes agrada. Com isso, além de aumentar o vocabulário e a cultura geral, eles podem viajar sem sair de casa, podem viver experiências novas, podem aprender novos conceitos.
Não acredito que a leitura em papel físico morra algum dia. Sempre haverá gente como eu, que sente prazer em segurar um livro nas mãos.
Sempre li muito em bibliotecas, por não poder manter em casa toda a literatura que me atrai. E muitas vezes acabo comprando os livros favoritos, mesmo já tendo sido lidos, pelo prazer de possuí-los, de manuseá-los, de relê-los.
Conheci o dono de um sebo que me disse que adora comprar livros, e quase chora quando vende algum. Fica com o livro mais um pouquinho nas mãos antes de entregar ao cliente, acariciando sua lombada discretamente...
Entendo perfeitamente!

hahahaha adorei!!! essa do cara do sebo é muito boa!!!
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