Existe um doce que não consigo comer, que é biscoito de nata. Acho todos ruins.
Quando eu era criança, o ponto alto da semana era o dia de ir à casa da minha avó. Já na entrada, corríamos para um determinado armário, no qual ficava o pote de biscoitos de nata, sempre cheio. Tinha um sabor que não dá para descrever, derretia na boca, era o melhor doce do mundo. Assim, qualquer outro biscoito de nata perde na comparação antes mesmo de ser provado. É covardia...
Outra lembrança sensorial é o aroma do quibe michui, que minha avó assava na churrasqueira. Depois, cortávamos na dobra e tirávamos a gordura de dentro, para saborear um quibe indescritível, incomparável. O prédio inteiro babava com o cheiro, que impregnava todos os andares.
Aliás, o meu tio, quando era criança, descobriu um cachorro especial graças ao quibe. Ele pegava um quibe e sumia, depois voltava, pegava outro e sumia, e assim várias vezes, até que minha avó ficou preocupada e disse para ele parar de comer quibes. Ao que ele informou que não os estava comendo, ele os estava dando para um cachorro árabe que ele tinha conhecido... sim, por que só os cachorros árabes comem quibe, certo?
Eu tive a melhor avó do mundo. Como eu só tive uma, ela sabia que tinha que valer por duas, e cumpria seu papel. Era uma mulher quente, de colo largo, como só uma avó consegue ser. Ela era forte e poderosa, tanto que todas as sobrinhas a queriam a seu lado nos momentos difíceis ou felizes, e ela tocou e mudou a vida de todos nós.
Não dá pra comer qualquer biscoito de nata depois disso, não é?
Cynthia, vc tem a receita? Posso tentar fazer prá vc.... Sei que nunca serão iguais aos da su avó, pois há toda uma emoção em volta dessas lembranças,mas, posso tentar!
ResponderExcluirBjo
Que legal! Não tenho a receita, mas vou ver se minha mãe tem.
ResponderExcluirbj